Acadêmica do 4.º ano do curso de Odontologia da Universidade Estadual de Londrina manifesta indignação com as condições estruturais da instituição

Segundo relatos da estudante Fabíola Calderan situação precária põe em risco alunos, professores e pacientes. Confira o texto em que a acadêmica destaca os diversos problemas.

PIADA NA ODONTOLOGIA DA UEL

Atualmente na área da saúde vem se questionando os problemas da precariedade da infraestrutura, das condições de trabalho e atendimento da população nos hospitais e unidades de saúde. Para o curso de Odontologia da Universidade Estadual de Londrina esta realidade não é diferente. Diariamente eu e meus colegas sofremos com o descaso das autoridades locais com a falta de infraestrutura da nossa atual Clínica Odontológica Universitária (COU), que presta serviço aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). A Bebê Clínica também compõe o curso de Odontologia e não tem sede própria, e em condições precárias atende aproximadamente 18.469 crianças cadastradas em projeto educativo e preventivo de saúde bucal. Mensalmente são atendidas mais de 12 mil pessoas de 59 cidades do Brasil na clínica. Mesmo com tamanha demanda os problemas estruturais geram prejuízos ao nosso aprendizado e colocam a nossa vida e de nossos pacientes em perigo.

É tão sério que no início desse ano foi registrado em cartório risco de incêndio e desabamento do prédio. Em 2010 teve início a construção do novo prédio da Clínica Odontológica no campus da UEL. Há dez meses essa construção encontra-se parada por falta de verba. É preciso para a conclusão dessa obra o valor aproximado de 20 milhões de reais, mas os governos estadual e federal devem estar aguardando uma tragédia para que talvez diante de lamentação tomar as medidas necessárias para concluir essa construção. A estrutura abriga a COU, o Centro de Especialidades Odontológicas (CEO) e o Pronto Socorro Odontológico 24 horas. O prédio tem 50 anos e é limitado. A estrutura física atual da Clínica Odontológica foi adaptada na década de 70 para atender 20 estudantes e atualmente este mesmo espaço físico é destinado aos 60 estudantes.

Consequentemente a distribuição dos equipo odontológicos não obedece a requisitos mínimos de ergonomia e biossegurança. As medidas de biossegurança consideradas ideais não são alcançadas, não atendendo com isto as normas da ANVISA, colocando em risco a saúde dos professores, estudantes, servidores e da população. A precariedade dos equipos odontológicos, aparelhos de raio-x e falta de espaço em sala de tomada radiográfica dentro dos ambulatórios dificultam o aprendizado e atendimento. As condições atuais do telhado são de precariedade, com infiltrações e goteiras (no teto da lavanderia, por exemplo, fios de energia estão expostos próximos a uma estrutura de metal). A defasagem das instalações elétricas causa permanente risco de incêndio. Vazamentos nos ambulatórios são constantes, ocasionando a suspensão das atividades clínicas e prejudicando nossos atendimentos e aprendizado.

Na sala de atendimento, o teto de madeira expõe sinais de fragilidade e em diversos pontos há infiltrações nas paredes. A canalização da água da chuva termina em um alçapão, coberto por uma grade, no principal corredor do prédio. Em dias de chuva os corredores alagam. O barulho constante das atividades dos estudantes do Colégio Estadual Hugo Simas atrapalha os procedimentos, tira a concentração dos profissionais e deixa os pacientes incomodados. O barulho também atrapalha muito as atividades teóricas em sala de aula. Não há acesso adequado para ambulâncias em caso de uma emergência médica e rotas de fuga em caso de incêndio. Frente a isso não ficamos surpresos com a interdição de um dos ambulatórios por conta de uma rachadura na parede em no final do ano de 2012. No início deste mês tivemos um dos ambulatórios alagados e o forro de madeira da sala de espera caiu durante chuva, obrigando pacientes, estudantes e professores saírem às pressas pelo risco de curto-circuito. O atendimento nesse ambulatório foi suspenso. Diante disso, os estudantes têm realizado manifestações públicas com o objetivo de conscientizar a população sobre os problemas na infra-estrutura da atual Clínica Odontológica Universitária, e que a segurança de professores, alunos e pacientes está correndo risco.

Fabíola Calderan - Acadêmica do 4.º ano de Odontologia - UEL Presidente do Centro Acadêmico XXI de Abril do curso de Odontologia

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