Bancos de ossos são fundamentais para procedimentos odontológicos

Entidades buscam ampliar direito ao uso para todos os cirurgiões-dentistas

Há aproximadamente uma década o transplante ósseo tem representado uma alternativa segura para pacientes com perdas ósseas provocadas por tumores, trocas de próteses e outros problemas odontológicos. O osso utilizado é congelado, processado e implantado, e os ossos de um único doador podem beneficiar em média 50 pacientes.

O Ministério da Saúde e o Sistema Nacional de Transplantes são responsáveis pelo cadastro e credenciamento dos bancos de ossos e dos profissionais aptos a utilizarem essa alternativa nos procedimentos odontológicos nos consultórios. Hoje o direito de uso do banco de ossos está restrito apenas aos especialistas em periodontia, endodontia, implantodontia e bucomaxilofacial.

De acordo com o presidente da Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas (APCD), Adriano Forghieri, existe um grande desafio de ampliar o direito de uso do banco de ossos para todos os cirurgiões-dentistas. Ele explica que existem várias tratativas em andamento para liberar o uso do banco de ossos para CDs clínicos gerais.

“Neste momento, é muito importante que a população seja bem informada e possa participar desse processo, tanto no sentido da doação de ossos, como no de saber que pode contar com essa alternativa, se precisar. Afinal, atualmente, muitos pacientes ainda são submetidos à extração de osso da própria bacia ou do queixo, procedimento bastante agressivo e passível de infecções”, diz Forghieri.

João Augusto Sant’Anna, cirurgião-dentista membro da APCD-Marília que integra a comissão que discute a ampliação do acesso aos bancos de ossos pelos cirurgiões-dentistas, avalia que nos últimos anos houve um retrocesso nesse sentido. “Depois de prepararmos uma nova redação, em que inclusive os cirurgiões-dentistas alunos de especialização, depois de terem iniciado o curso e realizado o treinamento em enxerto e em banco de tecidos, poderiam já estar aptos a recorrer aos bancos de ossos, a Câmara Técnica do CFO (Conselho Federal de Odontologia) abortou a discussão, dando um passo atrás”, relata Sant’Anna.

Ele ressalta que atualmente um cirurgião dentista pode fazer o procedimento de enxerto com um material de origem bovina ou suína, desde que tenha o registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “Mas, não pode usar tecido de banco de ossos se não for especialista em bucomaxilo, periodontia, implantodontia ou endodontia”, protesta.

Sant’Anna afirma que mesmo o profissional possuindo 30 anos de experiência e um treinamento adequado, não pode contar com o banco de tecidos para tratar seus pacientes devidamente. “A rigor, essa resolução vigente contraria até mesmo a lei que rege o exercício da profissão do cirurgião-dentista. É preciso avançar e isso não está acontecendo”, afirma.

O especialista esclarece que o osso transplantado ativa a regeneração óssea do paciente e em muitos casos é substituído pelo osso da própria pessoa alguns meses depois. “Além de campanhas de esclarecimento sobre a importância da doação de ossos, se justifica divulgar ainda mais os benefícios do uso odontológico e desenvolver técnicas de captação, processamento, estocagem e transplante que estejam cada vez mais alinhadas com as exigências da legislação sanitária brasileira”, diz Sant’Anna.

Os ossos dos bancos são cortados em pequenos blocos antes de serem utilizados na Odontologia. Os benefícios são inúmeros e resultam em procedimentos mais ágeis, que oferecem muito menos desconforto e melhor recuperação ao paciente.

  • Fonte: Assessoria de Imprensa

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