O tabagismo apresenta-se como grande vilão em relação ao câncer de boca: Mais um motivo para parar de fumar.

O tabagismo apresenta-se como grande vilão em relação ao câncer de boca:  Mais um motivo para parar de fumar.

O tabagismo é reconhecido como uma doença crônica causada pela dependência à nicotina presente nos produtos à base de tabaco. De acordo com a Revisão da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-10). A OMS afirma ainda que cerca de 80% dos mais de um bilhão de fumantes do mundo vivem em países de baixa e média renda onde o peso das doenças e mortes relacionadas ao tabaco é maior. Além de constituir um fator de risco para o desenvolvimento dos seguintes tipos de câncer: leucemia mielóide aguda; câncer de bexiga; câncer de pâncreas; câncer de fígado; câncer do colo do útero; câncer de esôfago; câncer de rim e ureter; câncer de laringe (cordas vocais); câncer na cavidade oral (boca); câncer de faringe (pescoço); câncer de estômago; câncer de cólon e reto; câncer de traquéia, brônquios e pulmão.

O câncer bucal tem sua etiologia multifatorial, resultante da interação de fatores carcinógenos intrínsecos e extrínsecos. Os principais fatores de risco para o seu desenvolvimento são: tabaco, álcool, desnutrição, hereditariedade, radiação solar e trauma constante. O hábito de fumar é um dos principais fatores desencadeantes do câncer oral. O cigarro contém aproximadamente 4.700 substâncias tóxicas, sendo 60 carcinogênicas. Toxinas como a nicotina podem agir como indutores de uma resposta inflamatória na cavidade bucal, aumentando o risco relativo de sete a dez vezes quando comparado a não fumantes. Sendo uma doença que tem predileção bem definida, mas pode variar sua epidemiologia. Estatísticas apresentam-se que o câncer bucal acomete mais o sexo masculino e tem preferência pela raça branca após os 40 anos de idade, o carcinoma epidermoide foi à lesão mais diagnosticada e à área anatômica de maior incidência, foi a língua. As regiões Sul e Sudeste têm o maior índice de tabagismo e a maior taxa de mortalidade decorrente do câncer oral. No Brasil o câncer oral ocupa o quinto lugar geral entre a população masculina. Nas regiões Nordeste (7 casos/100 mil) e Sudeste (15 casos/100 mil) ocupa a quarta posição. Na Região Centro-Oeste (8 casos/100mil) está na quinta colocação, Segundo Ferreira et al., entre as diferentes regiões do país, as mais altas taxas de prevalência de tabagismo são registradas no Sudeste e Sul, regiões também com alta incidência de tumor com intensa associação com o fumo.

O Cirurgião-dentista apresenta um papel de suma importância na redução do câncer bucal, com a sua participação na prevenção, antecipação do diagnóstico, orientação sobre os tratamentos e reabilitação dos pacientes. Devemos orientar os pacientes para prevenção do câncer bucal para não fumar, evitar o consumo de bebidas alcoólicas, ter uma alimentação rica em frutas verduras e legumes, manter boa higiene bucal, usar preservativo (camisinha) na prática do sexo oral.

Os principais sinais que devem ser observados são:

- Lesões (feridas) na cavidade oral ou nos lábios que não cicatrizam por mais de 15 dias, que podem apresentar sangramentos e estejam crescendo.
- Manchas/placas vermelhas ou esbranquiçadas na língua, gengivas, céu da boca ou bochechas
- Nódulos (caroços) no pescoço
- Rouquidão persistente

Nos casos mais avançados observa-se:

- Dificuldade de mastigação e de engolir
- Dificuldade na fala
- Sensação de que há algo preso na garganta
- Dificuldade para movimentar a língua

O paciente deve ficar atento a esses sinais e a mudanças na coloração ou aspecto da sua boca. No caso de anormalidades, procurar um profissional de saúde. É imprescindível estar atento ao surgimento de qualquer sinal de alerta. Diante de alguma lesão que não cicatrize em um prazo máximo de 15 dias deve-se procurar um Cirurgião-dentista para a realização do exame completo da boca. O paciente deve aproveitar as consultas para tirar dúvidas e, principalmente, relatar qualquer sinal ou sintoma diferente. Pessoas com maior risco para desenvolver câncer de boca são fumantes e consumidores frequentes de bebidas alcoólicas estes devem ter cuidado redobrado e fazer visitas periódicas ao profissional.

O diagnóstico do câncer de cavidade oral normalmente pode ser feito com o exame clínico, mas a confirmação depende da biópsia. Esse procedimento, na grande maioria das vezes, pode ser feito de forma ambulatorial, com anestesia local, por um profissional treinado. Alguns exames de imagem, como a tomografia computadorizada, também auxiliam no diagnóstico, e, principalmente, ajudam a avaliar a extensão do tumor e permitem ao cirurgião definir o tratamento adequado. As lesões muito iniciais podem ser avaliadas sem a necessidade de exame de imagem num primeiro momento. O diagnóstico inicial permite tratamento com melhor resultado funcional, visto que tumores diagnosticados em estágios mais avançados vão implicar em tratamentos mais agressivos com maior chance de sequelas.

O tratamento na grande maioria das vezes é cirúrgico, tanto para lesões menores, com cirurgias mais simples, como para tumores maiores. O cirurgião de Cabeça e Pescoço é o profissional que vai avaliar o estágio da doença.

Autores:
Por Dra. Ana Paula P. Virmond Traiano
Dra. Thaiane Louise Menon

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